O consumidor de 2028 e a era do “silêncio visual”: como adaptar os seus rótulos simplistas

Imagine caminhar pelo corredor de um supermercado ou de uma loja no ano de 2028. Ao seu redor, dezenas de embalagens tentam chamar sua atenção com cores neon, promessas exageradas e códigos para escanear. Mas você está exausto. Na verdade, faz anos que você sente que o mundo está indo rápido demais.

Em vez de escolher o produto que mais “grita”, seu olhar e sua mão vão direto para aquela embalagem que transmite calma: um design limpo, cores suaves, uma textura agradável ao toque e uma mensagem transparente que não tenta te enganar.

Essa cena não é uma coincidência; é a nova grande mudança de paradigma no mercado. De acordo com o relatório estratégico O Consumidor do Futuro 2028: Os Restauradores, desenvolvido pela empresa global de tendências WGSN, a forma tradicional de classificar os compradores por idade, renda ou país está se tornando obsoleta. Hoje, as decisões de compra são guiadas por algo muito mais profundo: as emoções, a saúde mental e a necessidade de reduzir os ruídos do dia a dia.

Um mundo cansado que busca esperança

Para entender quais etiquetas funcionarão nos próximos anos, primeiro devemos entender como as pessoas se sentem. Por meio do seu Índice de Trajetória Emocional, a WGSN detectou que, enquanto a felicidade e a confiança global estagnaram, o estresse e o medo tiveram um pico histórico:

  • Estresse juvenil: 40% dos jovens da Geração Z nos EUA afirmam se sentir “quase sempre estressados”.
  • Fadiga digital: 47% dos jovens entre 16 e 21 anos no Reino Unido confessam que prefeririam ter crescido em um mundo sem Internet.
  • Refúgio no que é próximo: 75% dos consumidores na América Latina preferem comprar de marcas locais (desde que mantenham a qualidade e o preço), enquanto a confiança global em marcas nacionais supera as estrangeiras em 15 pontos.

Diante dessa superestimulação, nasce um grupo essencial: os restauradores. Não são pessoas que se isolam do mundo; são consumidores que decidem viver com intencionalidade, proteger seus limites e comprar menos, mas melhor.

Do “ruído comercial” ao “silêncio visual”: o desafio das embalagens

Durante décadas, a regra de ouro no design de embalagens foi adicionar mais: mais informações, mais elementos gráficos, mais chamadas para ação. No entanto, para os restauradores, a inovação significa exatamente o oposto: eliminar o atrito e criar paz sensorial.

Como isso se traduz na produção de etiquetas?

  • Minimalismo e “silêncio visual”: rótulos com composições limpas, cores suaves e tipografias legíveis que reduzem a fadiga de decisão na prateleira.
  • Experiência tátil (design háptico): para este comprador, o tato atua como uma tecnologia que ajuda a regular o sistema nervoso. O uso de substratos texturizados, papéis de fibras naturais e acabamentos foscos proporcionam um conforto físico imediato ao tocar o produto.
  • O valor da imperfeição humana: na era da inteligência artificial e da automação massiva, os rótulos que deixam transparecer acabamentos artesanais, um toque nostálgico ou detalhes sutis de origem comunicam cuidado e autenticidade real.

Materialidade com propósito: a perspectiva da Avery Dennison 🏷️

Um bom design visual não serve de nada se o material trair os valores do comprador. É aqui que a engenharia de materiais ganha todo o sentido, alinhando-se com a visão da indústria, impulsionada por referências como a Avery Dennison.

Para este novo perfil de consumo, o rótulo deve ser um exemplo de materialidade sustentável e tecnologia invisível:

  1. Economia circular real: uso de papéis com conteúdo reciclado, frontais mais finos para economizar matéria-prima e adesivos especiais que permitam lavar ou separar a etiqueta, facilitando a reciclagem da embalagem.
  2. Tecnologia sem invasão: a integração de soluções conectadas (como QR Codes ou RFID) deve ser pensada para servir ao usuário — oferecendo informações transparentes sobre rastreabilidade, ética dos ingredientes ou formas de reciclagem — em vez de saturá-lo com mensagens publicitárias.

A pergunta de um milhão de dólares para as marcas

O relatório da WGSN encerra com uma reflexão que, neste blog, consideramos fundamental para qualquer designer, impressor ou marca:

Estamos criando etiquetas projetadas para superestimular o comprador ou para transmitir serenidade e confiança?

Nos próximos anos, as marcas vencedoras não serão as que gritarem mais alto na prateleira, mas as que ouvirem o consumidor, respeitarem o seu ritmo e usarem a etiqueta como uma ponte de honestidade, tato e valor real. Aqui, a tecnologia é uma aliada importante.

📌 Fonte da informação:

Análise editorial baseada exclusivamente no relatório estratégico “O Consumidor do Futuro 2028: Os Restauradores”, publicado pela consultoria global de previsão de tendências WGSN (disponível em wgsn.com), integrado com a visão sobre sustentabilidade e inovação em materiais da Avery Dennison.

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